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23 de jul. de 2013

Quem ama vive menos

É quando o amor por alguém chega e domina que a vida parece ser mais curta, pois há um imenso desejo de estar sempre junto de quem se ama e nenhum tempo é suficientemente bastante para saciar este desejo.


Por isso dá para aceitar que quem ama tem vida curta, mas quem não ama tem tempo de sobra para viver correndo atrás do que vale menos. Já dizia Cora Coralina“[...] sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela [...] seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

O amor também arranca coisas que não queremos dar, filtra impurezas e alimenta os estímulos. Ele é o mistério, pois não pode ser explicado, e se não é explicado, não pode ser entendido, deve ser vivido, experimentado e agarrado para preencher os espaços vazios que ficaram das coisas que foram arrancadas. No fim, amor é alívio e tensão, descanso e constante dedicação. É um misto de sentimentos benditos, mas quando em atrito, é um mal a ser suportado. Já que ninguém ama impunemente.

Vivendo por dentro este gostoso paradoxo, Carlos D. de Andrade escreve: “Ainda que mal pergunte, ainda que mal respondas; ainda que mal te entendas, ainda que mal repitas; ainda que mal insista, ainda que mal desculpes; ainda que mal me exprima, ainda que mal me julgues; ainda que mal me mostre, ainda que mal me vejas; ainda que mal te encare, ainda que mal te furtes; ainda que mal te siga, ainda que mal te voltes; ainda que mal te ame, ainda que mal o saibas; ainda que mal te agarre, ainda que mal te mates; ainda, assim, pergunto: me amas? E me queimando em teu seio, me salvo e me dano...de amor.”

Como é bom saber também que o amor não acaba, não aquele amor rótulo de qualquer outro sentimento bom e forte, mas o amor mesmo, o de verdade. Um que não é paixão avassaladora, mas imersão sorrateira, não aquele sentimento de fogo na carne, mas aquele de incandescência suave. Algo pelo qual vale a pena lutar e enfrentar as consequências, ainda que a última consequência seja o fim da vida curta que temos, mesmo assim, não pare, não pare de amar; foi o que ensinou Helder Câmara“Não, não pares. É graça [...] começar bem. Graça maior, persistir na caminhada certa; manter o ritmo...Mas a graça das graças é não desistir. Podendo ou não podendo, caindo, embora, aos pedaços, chegar até o fim...”

19 de out. de 2012

Um parafuso solto e dois amigos muito loucos.


Como toda noite, após minhas aulas, e depois de passar pra pegar a namorada na faculdade, lá vinha eu pela Avenida 23 de maio, na velocidade máxima de 70 km/h, de repente, chega a curva à direita que dá acesso à Radial Leste. Reduzo a velocidade...50, depois 40, e pronto, preparado pra fazer a curva como manda o figurino, mas, ao completar a curva, bem embaixo de uma ponte, PLAFT!

Este foi mais ou menos o barulho que fez a roda esquerda do meu poisé 2003, travando tudo que se chama movimento – começava ali, às 22h45min do dia 18 de outubro de 2012, o acidente do parafuso quebrado, que revelaria dois novos amigos e o companheirismo de uma mulher, que hoje faz toda a diferença em minha vida.

Bom, preciso relatar os principais fatos, para que todos saibam como se deu o desenrolar do problema, até a sua solução.

O primeiro pensamento da namorada foi: jogaram uma pedra na frente do carro para nos roubar. Claro que isso não foi verbalizado, acredito que devido ao medo do pensamento se concretizar. Eu, estava assustado, querendo me apavorar, e ao mesmo tempo, devendo a ela uma postura equilibrada. Pensei. Parei com a agitação interior. Decidi descer do carro...mas, a porta do meu lado não abria...@#$%&*, saí pela janela, coloquei o triângulo a 10 metros do carro e enfim, liguei para o serviço de guincho...

Se deu certo? Quem me dera. Deu tudo errado e por quase uma hora, fiquei ali no frio, com medo de um assalto e com pena da namorada. Então falei pra ela: pega um taxi e vai pra casa. Fiquei com medo dela aceitar rs; Ufa! Ela disse: não vou te deixar sozinho. Como foi gostoso ter certeza que teria alguém ao meu lado naquele tormento.

Após ter passado muita raiva e ter sido extorquido pela empresa Car System, fui informado da não cobertura de guincho para casos de problema na suspensão. Pois seria necessário um guincho especial e eu teria que desembolsar uma grana, equivalente ao dobro do valor pago pelo serviço de guincho durante todo o ano – revolta – indignação, discussão por telefone e a hora passando, o medo aumentando, o frio também; sem contar os carros freando em cima do triângulo, pois eu estava parado bem na curva.

Tudo bem! Eu vou pagar o que vocês querem; pode ser no débito ou crédito? Respondeu o famigerado atendente: "NÃO! O serviço de guincho não aceita cartão". Ou seja, eu deveria andar com cerca de R$ 300,00 no bolso para o caso de um acidente desta natureza – absurdo!

Neste momento, surge a salvação inesperada. Um motorista de guincho por acaso passou e perguntou: precisa de ajuda? SIM, eu disse. Ele parou, conversamos rápido, e em 10 minutos já estávamos seguindo para uma mecânica de um amigo dele, que atende quase 24 horas por dia. O nome do motorista é Ricardo, que nos alertou: "o Carlão da mecânica tem a cara fechada, mas é gente boa".

Chegamos lá. Desceu o carro. O tal do Carlão nem me deu boa noite e já começou a fuçar no carro, fiquei preocupado e pensei: que cara estranho, nem perguntou nada, nem cumprimentou, mas enfim, fiquei quieto, claro, eu estava em apuros – era 00h20min.

Foi quando do mais profundo silêncio surge a voz do Carlão, dizendo: "uma vez aconteceu isso comigo na praia e tem mais, você reza?" Respondi: sim, eu rezo. Então de graças a Deus, porque se você estivesse a 100 km/h, não estaria aqui pra concertar seu carro.

A partir destas palavras, tudo naquela noite fez sentido, até as dificuldades que se somaram ao acidente. Percebi logo que ali havia um homem inteligente, profissional e espiritual. Começou a falar um monte, brincar, acalmar a gente. Trabalhava intensamente para resolver o problema do parafuso quebrado. Até comida ele nos serviu. Depois de duas horas de trabalho ele disse: "vai em paz, bom retorno para casa".

Estes dois profissionais, o Ricardo do guincho e o Carlão da mecânica, além de me edificarem como pessoa e ajudarem no resgate de diversos valores humanos, cobraram juntos, menos do que o desgraçado serviço já pago de guincho queria me cobrar, apenas para levar o carro até a garagem da minha casa, sem nenhum outro serviço adicional.

Chegamos em casa quase quatro horas da madrugada, mas o parafuso que se soltou, permitindo conhecer estas duas pessoas, transformou uma noite que tinha tudo para nunca mais ser lembrada, em uma noite para nunca mais ser esquecida, com louvor a Deus.

Para muitos pode ser uma história boba, mas para mim foi um resgate de muitos valores. E eu devia esta propaganda a eles, com uma declaração a ela rs.

O modelo de rua que desfilou na internet.


Tudo começou na última terça-feira, 16 de outubro, quando Rafael Nunes da Silva abordou Indy Zanardo e fez o seguinte pedido desconexo: “tire uma foto minha que eu quero ficar famoso no rádio.” Ele é inteligente e parecia já ter percebido o comportamento característico da frenética vida moderna, do qual fazemos parte e sequer nos damos conta disso. Ou seja, ao pedir uma foto que repercutisse no rádio, ele afirmava duas coisas que fazem parte do nosso cotidiano.

A primeira é que vivemos num mundo onde a comunicação é multiplataforma, então, basta você fazer parte de uma mídia, para em pouco tempo repercutir em todas elas. E a segunda coisa, que infelizmente não se constitui um avanço, mas um regresso, é que atualmente a vida real precisa se tornar conteúdo virtual para aparecer aos nossos olhos.

Afinal, quantas crianças, adolescentes, adultos e idosos, sofrem do mesmo problema trágico de Rafael Nunes e não são repercutidos com tanto sucesso? Claro, eles não têm o padrão de beleza estética que causa a admiração dos nossos olhares, viciados em selecionar as pessoas pelas aparências e não pela importância humana. Não me excluo disso e não quero generalizar, mas somos todos, ou pelo menos a maioria, vítimas dos condicionamentos impostos pela própria mídia que repercutiu o modelo de rua, porém, não consegue repercutir eficazmente o modelo da verdadeira vida nas ruas.

Quer ver como eu não estou exagerando? Qual foi o primeiro pensamento que veio à cabeça das pessoas? Ah...isto tem cheiro de estratégia de marketing; isto é mais um viral de marca na internet; olha outra propaganda aí; e mais que isso, teve até o oportunismo de uma marca que pegou carona na fama de quem não tem grana, pra ver se ganhava algum retorno de engajamento (ROE). Eles apagaram a postagem, mas eu já havia printado a tela do pretenso marketing de emboscada da Barbearia Clube.

Clique na imagem para ampliar.

Enfim, o que podemos aprender com tudo isso? Podemos aprender que vale a pena de vez em quando, tirar os olhos das telas dos computadores de mesa, de colo e de mão, para dar uma espiada em volta. Quem sabe encontramos mais Rafaeis que queiram ser fotografados e popularizados, pra ver se a gente enxerga a realidade. Tudo bem que os familiares do ex-modelo relatam nas matérias dos jornais, o fato de ele “não querer” sair das ruas (como se atualmente ele conseguisse decidir por algo em sã consciência) e dizem ainda: “das várias vezes que foi internado, nenhuma durou mais que dez dias”, porém, existem muitos outros que querem ser ajudados, e estes, ainda estão sem likes, comentários ou compartilhamentos.

É como falei na conversa com minha prima,  Clau Boaventura, antes de escrever este texto: "Se a beleza de Rafael Nunes da Silva servir para reacender uma discussão que leve a alguma solução, tá valendo a grande repercussão." 

Talvez você entenda melhor meu interesse pelo caso, ao ler também o texto: QUEM.

(Sobre as milhares de meninas e mulheres que se ligaram mais na beleza dele do que na realidade dramática deste problema social, esta é uma grande oportunidade para repensar o lugar da procura do pretenso homem dos sonhos rs.)

3 de set. de 2012

Vou embora e volto quando eu quero.


Há algum tempo perdi o medo da desaprovação dos meus atos e palavras, porém, isto não significa uma chancela para atitudes que ofendam os outros, ainda que posteriormente justificadas com a expressão: “Ah, eu não ligo para o que os outros dizem.” Se hoje não dependo mais da aprovação alheia, não é porque isto não importa em nenhum aspecto, apenas não pauta minhas decisões (não faz mais o coração bater rápido ou lento). Mas quem pode negar que um elogio exalta e que um parecer negativo gera a repentina bad impression?

Claro que isto também não vale para todos, há aprovações que não são aprovações das quais se dependa, mas opiniões das quais surgem novas motivações. São as pessoas que amamos; e mais do que isso, são as opiniões das pessoas que temos certeza que nos amam. Destas sim, não quero aprovações, quero mesmo é obter inspirações, e neste caso, vale até a oposição.

Mas porque estou falando deste assunto depois de tanto tempo sem escrever? Simples, tanto quanto me livrei da necessidade de aprovação, não quero mais estar preso à cobrança imposta por um compromisso que na verdade não existe. Quando percebi que garimpava temas para preencher espaços virtuais, e com isso, surgia dentro de mim uma ânsia pela adesão do outro lado, comecei a crer que mais sentido teria em minhas palavras se elas não dependessem de nada nem de ninguém para existirem. Fosse aqui ou ali, fosse para este ou aquele.

Pior ainda, quando comecei a perceber que precisava atenuar a gravidade de algumas palavras ditas dentro de certo contexto, porque este ou aquele teria este ou aquele sentimento...enfim, percebi que não pode haver limite na expressão, pelo menos para mim não pode haver autocensura. Ou defendemos a nossa plena liberdade que garanta a liberdade alheia como o outro a entende, ou será sempre uma nossa jaula de prazer pessoal à qual damos o nome de liberdade; e isto, claro, se quem nos interessa está do nosso lado da grade.

Quando notei sentido comprovado nisso, passei também a perceber que somente algumas coisas são infinitas: Deus (pra quem crê), o Amor (pra quem vive), o Universo (pra quem pesquisa), os Números (pra quem calcula) e as Palavras (pra quem escreve). Consequentemente, quando cada um no seu quadrado faz o que sabe e o quer com Amor, não pode haver limite, pois não pode haver esquadro que limite o amor, mutilando suas possibilidades infinitas.  

Portanto, escrevo por que amo escrever, aliás, ganho a vida com isso, escrevo por que preciso por pra fora, mesmo assim, vou embora e volto quando eu quero. Por isso me identifico nesta frase: “...escrevo para nada e para ninguém, quem me ler será por conta própria e auto-risco”, da banalizada Clarice das redes. Ao mesmo tempo, fico imensamente grato pelas pessoas que me leem e por aqueles que cobram que eu escreva, pena que eu não me cobro mais e nem preciso de aprovações alheias.

Já me livrei.

Quando volto aqui pra deixar combinações infinitas de palavras controversas, mesmo que sejam críticas, é porque alguém que amo e que me ama, inspirou-me a escrever. Então, tudo tem sentido, cada coisa me importa. 

20 de jul. de 2012

O oportuno Dia do Amigo.


É possível haver unidade na diversidade, pois existe a amizade para transpor todas as diferenças e criar a harmonia de uma única realidade - a convivência alegre da vida entre amigos. 

Hoje é o dia oportuno para voltar a escrever no meu blog, pois é o Dia do Amigo. Neste dia lembro as pessoas que passaram pela minha vida, e se hoje, algumas não estão mais comigo, seja porque passaram desta pra melhor – que Deus o tenha – ou porque perdemos o contato, nada impede que eu exponha meu sentimento de alegria ao me dirigir a quem ainda está presente e que me dá tantas alegrias.

Com os amigos eu aprendi a ser feliz sem preocupações exageradas, já que amigos de verdade permanecem quando descobrem suas fragilidades. Os amigos estão presentes nos melhores e piores momentos, partilhando fatos que duplicam a alegria e dividem o sofrimento. Mas nada é mais valioso do que observar com gratidão, o quão diferentes são entre si os amigos do mesmo círculo de amizade.

Houve tempo em que me suportaram, houve tempo em que os suportei. Aprendi, multipliquei, dividi, cai e levantei, sempre com meus amigos. Afinal, amigos não são apenas aqueles que conhecemos ao longo da vida, mas também são os consanguíneos membros da família. Porém, com toda a riqueza que existe na amizade sincera e verdadeira, percebemos uma decadência do contato entre amigos, muitas vezes justificado erroneamente pela correria do dia a dia.

Por isso, para que o cotidiano não roube de você a melhor coisa da vida, pense sempre em valorizar aqueles que você tem e fazer novas amizades para ser ainda mais feliz. Já dizia Vinícius de Moraes: Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Então, seja verdadeiramente amigo de todos os que o cercam, para que também os seus amores sejam amigos, e assim, bastará pensar que perdê-los te enlouquecerá, para ir até às últimas consequências na luta pela fidelidade e harmonia, construindo uma convivência que gera unidade na diversidade.

Este dia é a uma oportunidade de reconciliar, recuperar, lapidar, conversar e ser feliz. Ligue, escreva, exponha seus sentimentos. Seja livre, feliz e autêntico. Um amigo de verdade é pra toda vida, desde que você não se iluda que ele(a) seja perfeito. E lembre-se, a única certeza é que um dia ele te decepcionará. Você um dia o decepcionará também. Mas, se forem mesmo amigos, não há com o que se preocupar. FELIZ DIA DO AMIGO!


23 de abr. de 2012

Que minha vida seja um livro digno de ser lido.



Os livros sempre fizeram parte da minha vida. Lembro que meu pai – meu herói – mesmo não possuindo muito estudo, era um consumidor assíduo dos vendedores de enciclopédia; no começo, eu ainda pequenino, não fazia a mínima ideia do motivo pelo qual aquele homem colecionava tantos livros em uma estante, que tomava 50% da grande sala da minha casa. Mesmo não havendo mais espaço ele continuava a comprar e meu questionamento aumentava. Porque ele não abria os livros para ler, nem a minha mãe? – ela, pelo menos, folheava aqueles monumentos de capa dura com imagens esplendorosas – principalmente um de nome: As Plantas que Curam.

Não havia muito que fazer na rua, eu não era dono de bola de futebol e jogava tão mal, que sempre ficava por último na escolha dos amigos, então, preferia não sair de casa para isso, quando ia empinar pipa, passava alguns instantes e era taiado/cortado (como se dizia lá em Mauá), e como não tinha coragem de sair na rua para reclamar os meus direitos, preferia voltar para dentro de casa, acontecia a mesma coisa quando perdia um pião na sela, ou quando perdia minhas bolinhas de gude. Em meio a estes dramas da infância, descobri como eram ricos os livros e como eles eram amigos que não me tiravam nada, só acrescentavam. Passei a ter uma relação diária com eles e ia viajando em cada página, prestando atenção em cada detalhe e arriscando repetir em voz alta os termos mais difíceis – neste tempo também conheci o Aurelião, com quem convivo lado a lado até hoje.

Os anos foram passando e minha biblioteca foi aumentando, lembro até de uma vez que forcei meu pai a comprar uma coleção, ameaçando não parar de chorar nunca mais – ele comprou é claro – o nome da coleção era: Porque? Conheci a as enciclopédias Barsa, Conhecer o Brasil, Conhecer o Universo, Coleção Vaga-Lume e os mais variados autores, pensadores, poetas e filósofos, além de todas as versões de dicionário disponíveis. Por causa disso, meu pai era feliz e minha mãe também, pois os livros me mantinham longe de alguns perigos e eu não ir mal na escola. Todo o esforço do meu pai, começou a ter sentido na minha escolha pelos livros, agora sim eu sabia, foi em prol da minha educação que ele comprou o que não pode receber um dia. Folheando aquelas páginas, vivia dias mágicos, eu conheci o mundo e suas criaturas, nada era impossível para os livros, tão pouco para mim, bastava ler uma página e fechar os olhos, lá estava eu, aonde quisesse estar.


Hoje é o Dia do Livro, pode-se dizer também Dia da Cultura, e eu não poderia deixar passar esta data sem fazer uma homenagem aos meus amigos inseparável, devo o que sou também a eles e por isso seguro-os com minhas mãos todos os dias da minha vida, assim me sinto seguro e motivado a sonhar para concretizar estes sonhos. E ainda que meus amigos venham a se tornar uma tela de computador/tablet/smartphone, quero todos os dias trazê-los diante dos olhos e seguir em frente me espelhando em seus ensinamentos, e acreditando que o melhor há de vir, porque a sabedoria que emana destas páginas infinitas espalhadas pelo mundo, são o meu destino infinito de conhecimento – sei que nada sei, mas com eles posso tudo. Ou não está escrito no mais celebre de todos os livros, que Deus é o Verbo e o Verbo é a Palavra escrita no Livro que tudo fez, inclusive a vida? Para todos os crêem e aos que não crêem, podemos dizer juntos: o Livro é tudo! Deixe-o levar para o infinito. Esta é a história do livro na minha vida; e a sua, qual é?


8 de abr. de 2012

A Páscoa pede passagem! Cristo, coelho ou ovo?


Páscoa (do hebraico Pessach, significando passagem em grego Πάσχα).

A curiosidade central da Páscoa comemorada nos tempos atuais, digamos, pós-modernos, não é mais o seu tradicionalismo no campo das celebrações rituais religiosas e sim, os paradoxais contrastes que habitam no mesmo tempo e espaço, ou seja, tudo começou com os Judeus, donde Cristo  provém, porém nos quais Ele não permaneceu, então, aquilo que era de significado Judeu, passou a ser cristão, dado as semelhanças das comemorações judaicas pascais com a trajetória da vida de Cristo (vide Bíblia  e/ou Tora), e mais, Cristo não tem nada haver com “coelhos”, que, aliás, sequer põe “ovos”, quanto mais de “chocolate”. Tudo isso junto e misturado, faz parte da nossa nova sociedade pascal.

Definitivamente estes paradoxais contrastes são a prova cabal de que o sincretismo religioso/cultural/popular é extremamente criativo, dinâmico, ecumênico, cosmopolita, eclético e inovador; não acham? Os sentidos se diluem, se misturam, tomam nova forma e são absorvidos conforme o molde dos recipientes, conforme a personalidade de cada pessoa, que por sua vez, lhes conferem novos valores individuais e por fim, expõem subjetivamente suas interpretações dos conceitos, recomeçando o ciclo das ressignificações.  

Mais criativos ainda, figuram o mercado empresarial e a publicidade, ambos souberam aproveitar a oportunidade de uma realidade que contempla vários significados, e atingir cada vez mais pessoas, relativizando a linguagem como em uma espécie de metamorfose mercadológica simbólica, agradando em todos os gêneros, os plurais desejos – é um tempo muito parecido com o Natal (leia também). Assim, uma espécie de polvo comunicante inebria o povo, e a essência da Páscoa (desfigurada) pede passagem sem nada conseguir, pois à sua frente uma muralha de conceitos distintos torna sua passagem praticamente impossível, impede que ela renove as nossas vidas, nestes 75% de ano que ainda nos resta em 2012.

Então, se a essência deste espírito de Páscoa te alcançar e você decidir renovar a vida, fazendo tudo novo, melhor, a partir de agora, não se preocupe tanto em estabelecer diferenças, pois existe uma possibilidade de chegar ao mesmo objetivo partindo de pontos iniciais distintos. Enfim, não precisamos disputar espaço nesta festa, o que precisamos mesmo é nos unir pelos mesmos objetivos, cada qual na sua fé, ou mesmo sem ela. Digo sem ressalvas, já foi o tempo da disputa, melhor é aproveitar os elementos que nos unem, do que supervalorizar os que nos separam.

Feliz Páscoa aos Judeus, Cristãos e Povão, somos todos uma só especie, humana.


8 de mar. de 2012

08/03 - Dia Internacional da Mulher que você é!



Confesso! Sempre quis trazer ao conhecimento de todos estas palavras, que há muito tempo se organizam em forma de texto dentro de mim. Desta vez, nada de trocadilhos, clichês ou qualquer outra tentativa irônica/crítica/cômica  de estimular a leitura (talvez nem mesmo controvérsias...), pois a mulher é sempre bela em si mesma; não precisa de auxílios retóricos para evidenciar seu valor, e sua dignidade, quando reconhecida, tem força própria! Felizmente, nas últimas décadas o mundo parece dar sinais de rumar no caminho da valorização feminina, graças ao extenuante, porém nunca fraco ou desanimado fervor feminino. Mesmo tardiamente, o mundo decidiu escolher uma face mais bonita, e, não obstante as diferenças ainda patentes em questão de igualdade salarial, reconhecimento de capacidade, confiança em sua indiscutível habilidade, Ela, ou melhor, todas Elas, seguem numa harmonia crescente de conquistas e superações comprovadamente impressionantes. Óbvio, muito ainda precisa ser feito para extinguir de uma vez por todas a, infelizmente sempre presente, violência contra a mulher em todos os gêneros, números e graus, mas neste ensaio de elogio à mulher, pretendo focar mais nos inalienáveis valores intrínsecos delas, que nos repetitivos relatos desagradáveis sobre elas (que as envolvem).

O ponto principal é a beleza interior e sinceramente, não acredito em um padrão estético que possa definir o que é a beleza feminina, ou o que deve ser a beleza feminina, por isso eu afirmo: antes de tudo e sobremaneira, a beleza feminina está em ser mulher com as suas – felizes – diferenças em relação ao homem! Não vejo nenhuma possibilidade de um homem se apaixonar por uma mulher se ela não for exatamente como é. Sendo todas igualmente mulheres, são completamente diferentes umas das outras, mais evoluídas e dinâmicas do que o milenar, atrasado e conservador terno e gravata masculinos.

Bela em si mesma merece ser valorizada primordialmente por isso, não necessariamente submissa às propostas ou estereótipos impostos pelo padrão de beleza estabelecido nas passarelas da moda internacional. Objetivamente, não se pode falar de beleza sem considerar as diferenças e a intimidade de cada mulher em sua integridade, ou seja, a pessoa é vista em seu corpo e em sua essência interior, onde estão escondidos todos os seus reais valores. Ao entender a mulher nestes termos, percebemos que na verdade, a beleza está sempre escondida na distância das diferenças, inclusive as diferenças estéticas, portanto, a proximidade do padrão, vai esgotando a essência do belo.

Acredito também, que a beleza e o valor da mulher estão em ensinar o homem como amá-la, sempre exigindo uma forma de conquista diferente daquela planejada, mas que quando correspondida, será para sempre lembrada.  É mais ou menos assim: a mulher moderna não exige que o homem abra a porta do carro para ela, mas se ele o fizer, ela não esquecerá jamais – isto serve para outras coisas do cotidiano de um relacionamento com as mulheres e não significa tirar delas a possibilidade e capacidade de fazer, mas denota o carinho merecido por tanta beleza concedida aos nossos olhos. Está certo que as vezes passamos anos para aprender uma forma de amar aquela mulher específica pela qual nos apaixonamos, e quando conseguimos, ela quer de outro jeito. Tudo bem, como o amor supõe duração bem maior que a paixão, seguimos "de começo em começo por começos que não tem fim". (Gregório de Nissa)

Não veja somente corpos, mas veja mães, esposas, irmãs e filhas, todas lindas mulheres.

Beleza única e incomparável, sem constrangimento e sem discriminações - não há um padrão de beleza estabelecido, a beleza é ser mulher, a mulher que você é!

Parabéns!

24 de jan. de 2012

458 anos - Parabéns sampa! Minha “cara” capital.


Eu não poderia deixar passar na frente da minha cara esta data tão especial de repercussão internacional, sem escrever algo em homenagem à Grande e Criativa Cidade de São Paulo, nascido e criado aqui, ela é minha inspiração; vou seguindo seus passos e reinventando meus estilos em cada fase da vida. 

Não é só porque ela tem o título de cidade brasileira mais influente no cenário mundial, sendo considerada a 14ª cidade mais globalizada do planeta (eu diria conectada), recebendo a classificação de cidade global alfa, por parte do Globalization and World Cities Study Group & Network (GaWC) que merece tanta repercussão, ela também é a capital  do estado de São Paulo e principal centro cultural, artístico, gastronômico, financeiro, corporativo e mercantil da América Latina. É a cidade mais populosa do Brasil, do continente americano e de todo o hemisfério sul, posicionando a Megalópole como a sexta maior cidade do planeta, definitivamente seu lema é oportuno para definir em que a Cidade de São Paulo se tornou, diante do Brasil e do mundo: Non ducor duco (Não sou conduzido, conduzo.)

E o que vemos quando ficamos cara a cara com São Paulo?
Minha prezada cidade.
Minha estimada Sampa.
Minha cara capital.

Minha cara capital revela o rosto e a face do mais selvagem capital, talvez por isso viver aqui nos custe o olho da cara, tornando muitas pessoas cegas à sua beleza. Minha cara capital revela as duas faces da moeda social, forçando ricos e pobres a dividirem os mesmo espaço territorial, criando no horizonte um aspecto imoral, certa poluição visual, porque é muito desigual (uma desigualdade expressa na paisagem da cidade e me faz lembrar a pergunta do contundente artista Pedro João Cury, meu amigo, mestre, educador e professor: O que polui mais a cidade, o carbono lançado na atmosfera ou a desigualdade estampada no seu retrato cinza estático?) Responda quem puder...quem quiser. Depois acrescente a tudo isso o trânsito infernal transfigurando o semblante de qualquer mortal, um “atrito constante a gerar energia” (Rico Lins), posteriormente canalizada para arte ou para ira. 

Mas como quem vê cara não vê coração, minha cara capital não deve ser julgada pela aparência e diante de sua beleza, não hesito em expressar o que me apaixona em sua silhueta. A cara capital é um barato, é gostosa! E é a minha cara; motivo da minha alegria ao ver tantos estilos e cores formando uma única fisionomia urbano/cultural, além das ideologias distintas, reflexo de várias opções de vida convivendo juntas, infelizmente ainda não em completa harmonia.

Exatamente por isso, minha cara capital precisa de cada um de nós, de você e eu. Ela precisa de gente que se lance com a cara e a coragem na valorização da beleza existente nas diferenças, são pluralidades desta una sociedade – pelo menos este é o ideal – e assim, revelar ao mundo uma São Paulo sem preconceitos, sem desigualdade e sem violência excludente, só então, poderemos fazer juz ao lema Non ducor duco, tornando-o uma realidade pessoal, urbana e social. No fim de tudo, quando será o verdadeiro começo, valerá a pena ter esperado a maior “cara” para conseguir a liberdade nesta cara capital. Uma oportunidade marcante na história da nossa geração, e é esta oportunidade que realmente me seduz, motiva e encanta, poder lutar a cada dia para romper as trincheiras da intolerância na minha, na nossa, cara capital. 

É meu caro amigo, minha cara amiga, este é o rosto literal da nossa cara capital.
Pena que ela seja conduzida por tantos caras de pau!


5 de jan. de 2012

A imponente cracolândia dos impotentes


Tem circulado na mídia, sobretudo a do eixo Rio/São Paulo, as decisões de seus respectivos governos sobre o problema do crack, a pior droga em potencial destrutivo e que está circulando livremente nestes grandes centros. De um lado a polêmica decisão do poder carioca em aproveitar uma brecha no Estatuto do Menor para a internação compulsória dos infanto-dependentes, sem saber o que fazer com quem não está incluso nesta condição, já em São Paulo a polêmica é outra, sem a internação compulsória, acreditam no enfraquecimento da permanência dos “zumbis pós-modernos” na região, através do suposto combate exterminador de traficantes do  Velho Centro (daqui pra frente foco em sampa porque vivo aqui). A polêmica inclui ainda as ONGs, de cunho espiritual ou não, chegando até à simples lógica do desenvolvimento urbano, que realiza uma política higienista – mesmo que o lixo seja gente – dando espaço à Nova Luz, ironicamente acesa nas trevas sem oferecer luz aos seus condenados.


Morei por dois anos e meio na região da cracolândia, na Rua Conselheiro Nébias, Campos Elíseos, e o que via naqueles quarteirões era a máxima degradação a que um ser humano pode se submeter, em princípio por própria vontade, curiosidade ou estímulo do meio e depois, já sem condições de consciência ou domínio da própria vontade, entrega sua vida ao sacrifício sem nenhuma perspectiva, imolando com ele família e familiares, quando existem. Certas vezes ao cair da tarde ou mesmo à noite, caminhei entre aquelas PESSOAS; homens, mulheres (muitas gestantes), velhos e crianças, retrato da dignidade humana transformada em um aglomerado disforme de seres – desespero.

Qual o limite do flagelo que uma pessoa pode impor a si mesmo? O que EU sou capaz de fazer por aquela pessoa? E; o que é capaz de sensibilizar o poder público além do dinheiro movendo sua imoral conduta? O desespero aumenta. Então olhamos para o lado rico do mundo/agora falido, onde as drogas foram permitidas sobre certas condições, onde houve subsídio do governo para distribuição de entorpecentes aos usuários, ou ainda, onde se fecha o cerco às drogas sem dó nem piedade, e o que vemos? Fracasso! Não conheço uma política antidrogas, considerada modelo ou solução determinante para o problema, no máximo, e agora voltando o olhar para a América Latina, vemos países que tem a própria economia dependente das drogas – isso sim deu certo – mais desespero!

Por isso não sei bem a quem direcionar a responsabilidade pela solução do problema. Educação pública ou privada, educação familiar (que família?), investimento do estado em políticas mais eficazes e menos higienistas, já pensei até em falar com os organizadores da marcha da maconha para que a próxima fosse realizada lá nas ruas da cracolândia, talvez transmitissem uma mensagem, tipo: troque de droga e viva mais tempo, sei lá. As vítimas do crack são inofensivas, impotentes diante de seu próprio problema que passa a ser nosso ao gerar violência, crime e roubo nas ruas, porém, quem está do lado de cá, só oferece inofensivas ações impotentes mais preocupadas com a beleza estética da cidade, enquanto tragando a morte no cachimbo que fuma as vidas, são punidas as inocentes vítimas doentes em nome de um Centro Legal, porém, amoral.


31 de dez. de 2011

Em 2012 o mundo vai acabar diferente - seja feliz!


Depois das especulações sobre o Armagedom, Apocalipse, Fim do Ciclo, Egípcios, Celtas, Hopis, Nostradamus e diversos profetas, Chineses e Budistas, WebBots, Cientistas e Religiosos, além do fabuloso calendário Maia, é hora de pensamento realista, ou seja, o mundo não vai acabar! Isso mesmo; seja otimista! Vamos parar de balela e aceitar que estas previsões vão e voltam circulando no tempo e na história sem nunca se concretizar de forma eficaz, mas elas não vem e vão em vão, porque existe algo de real para se crer dentro delas, sim, todas podem ajudar a acreditar que o que vai acabar é o mundo como conhecemos hoje.

Vai acabar o mundo nocivo a sim mesmo, patético de pessoas com consciência degenerativa, acabará também a falta de compromisso com o meio ambiente e todas as injustiças sociais, acabará a intolerância sobre as opções que se diferenciam umas das outras, porque são opções pessoais e cada pessoa é única em valores e escolhas, vai acabar a competição que faz vítimas de CPF e CNPJ, acabará a corrupção e a exploração humana de todo tipo, vai acabar toda guerra e acabará também o medo de ser feliz do seu jeito – haverá liberdade!

O mundo velho será implodido pela força das novas realizações humanas, mais altivas e altruístas, favorecidas pela tecnologia; pois é certo que uma coisa já acabou, acabou o limite e a dependência de tempo, lugar e espaço, para se comunicar expandindo novas ideias do oriente ao ocidente e vice-versa. Sim, o mundo vai acabar, mas somente neste seu formato velho, dando espaço para que reine a gloriosa sustentabilidade, coordenando a educação ambiental humana em todas as fases do processo de preservação das espécies e do planeta.

Ironia? Não! Desejo.

Mas entender que a sustentabilidade deve ser um estado cultural de vida, não uma força de planejamento estratégico ou racional que obriga você a alguma coisa, pode ser a melhor meta para se cumprir no ano novo.

Sinceramente quero que isso aconteça, acredito que você também. Mesmo sendo difícil acreditar com esperança nestes ideais, eles dependem muito mais de nós mesmos do que daqueles que tem certo poder sobre nós, e se mesmo assim, você ainda tem dificuldade de acreditar, dê a este sonho de “mundo novo” a mesma repercussão que teve o “fim do mundo” até hoje, então, verás do que somos capazes.

Se não é isso que você espera para 2012 – com todo respeito – o mundo acabará mesmo é com você!  Afinal, sem desejar o que é bom, vamos comemorar o que, porque e para quê?

Belo Ano Novo! Tudo de Bom! Seja Feliz!

5 de dez. de 2011

Viver para pagar o que foi vivido



Este é o mérito daqueles que embarcam em alguma viagem sem volta. E a viagem sem volta, cobra suas prestações para sempre, invariavelmente. Há quem diga: “a viagem sem volta é a própria vida com seu anexo sofrimento no caminho rumo à morte”, que, aliás, ninguém escapa; sinceramente acho esta visão meio deprê, mas...

Bom, no entanto, não podemos ignorar um monte de alegrias que nos surpreendem a cada dia, ou a cada um pouco mais de dias, e, em certo sentido, não só equilibram, mas superam as experiências negativas. Não é mesmo? Acredite!

A viagem sem volta é a que escolhemos fazer para sair da chamada, vida normal. Quando se decide por ela é preciso romper com a normalidade, meio que padronizada (estereotipada) pela sociedade, e ingressar, no arriscado sistema de obtenção de prazer com possíveis consequências drásticas. Já ouviu dizer que quando um motorista causa um acidente por dirigir bêbado, ele assume o risco de matar? Pronto, mais ou menos isso.

É bem verdade que no primeiro momento da viagem, não há nenhum indício de que o destino presumido será uma conta eterna a pagar, a não ser quando ela cobra a própria vida, ainda nos primeiros “pontos turísticos” ou estágios do percurso. Fica bem chamar isto de: “a tragédia da viagem sem volta”.

Muitos se sentem assim! Pagando aparentemente sem dever, mas sem dúvida nenhuma, pagando até morrer. Engraçado! No meu caso, desejei recuperar um bem que havia feito parte da minha vida, de repente percebi que não o teria mais, afinal, eu fiz há muito tempo minha viagem sem volta, e mesmo que para muitos eu tenha voltado, sei que não voltei inteiro, pois a maravilhosa “coisa” que desejei, foi a prestação que paguei; e minha vida ficaria para sempre sem.

Muitas escolhas na vida nos levam a uma viagem sem volta. Aprendi que nossa liberdade pode chegar ao extremo, conquistando uma autonomia às vezes indesejada, o ser humano tem o poder de tomar decisões que duram para sempre, pelo menos em suas consequências, mas com certeza, se pudesse prever o destino, jamais embarcaria em alguma viagem sem volta. A vida é assim, resultado da troca, escolhemos uma coisa que cobra por outra, porém, quando escolhemos algo que toma para sempre o que nos completa, já sabemos que este é o destino final de uma viagem sem volta.

Qual foi a sua?


Um senhor arrependido



Quando li um texto, supostamente escrito por um senhor, que no fim da sua vida dizia estar arrependido das coisas que não havia feito, discordei totalmente. Existe realmente um grande número de coisas boas que deixamos de fazer na vida, como por exemplo: benefícios maiores às pessoas que convivem conosco, ou pelo menos mais frequentes, entre outros. Porém, neste caso, o senhor em questão, reclamava a ausência de experiências “radicais” e extravagantes, como pular de um penhasco dentro da lagoa e outras aventuras parecidas, algumas até mesmo ilícitas.

Em suma, ele lamentava o fato de não ter arriscado mais a sua vida em tais experiências, entendo que sentir-se assim, tem lá o seu sentido, mas o que tenho a dizer é exatamente o contrário. Ainda não sou velho, e no meu caso, presumo que me arrependerei de ter feito tudo que pôs minha vida em risco, porque mesmo que tudo que fiz não tenha levado minha vida embora, levou algumas coisas sem as quais viver não tem mais tanto sentido e recuperar é extremamente difícil.

Claro que agora a mais radical aventura que tenho é recuperar sentido, reinventar motivos e me alegrar com a aceitação voluntária dos resultados de minhas escolhas – sim – arriscar a vida dá uma considerável experiência, mas concede bem menos paz – Paz – que este senhor alcançou e esqueceu de valorizar na análise da sua história de vida.