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17 de abr. de 2012

Mudanças Constantes = Inconstância Estratégica


O Facebook (leia) realizou uma nova mudança inusitada e “inavisada” em seu layout; percebi a novidade e mesmo sendo um entusiasta da rede, fiz uma pergunta a mim mesmo, pergunta esta, que penso ter sua hipotética resposta nos recentes acontecimentos do mundo das redes sociais. Intrigou-me - acredito que não estou sozinho - uma mudança no tamanho da foto do perfil pessoal no Facebook de 125x125, para 160x160 (sem contar a moldura), conservando, porém, o tamanho antigo, nas páginas empresariais. Minha pergunta foi a seguinte: porque tanta mudança? Pode ser que o rei das redes sociais, o fenômeno do relacionamento na era digital, desde nascido só viu a prosperidade, mas agora, sente a curva de crescimento diminuir a intensidade habitual e passa a perceber sua saturação, consequentemente, o impacto da concorrência. Mas quem são os ousados concorrentes da maior rede social do mundo e quais os seus atributos para forcá-la a mudar tanto? Resposta fácil: Google+ (leia) e Pinterest (leia) , pois partilham do mesmo modelo estrutural, diferindo apenas em algumas funcionalidades e layout. É claro que todas elas realizam alterações, mas não com tanta frequência como vemos no Facebook, talvez, porque ele tenha que lutar contra todas as outras que chegaram depois, e todas as outras, parecem ter apenas que derrotá-lo. Note-se nesta briga a ausência do microblog Twitter (leia),  pois sem um predador em potencial, pode literalmente, voar livre como um passarinho.

Vamos aos dados dos fatos: o Google Plus desde seu lançamento não havia feito nenhuma grande alteração, até que na semana passada reestruturou o seu layout e aumentou o tamanho de visualização das fotos na página, além disso, importou para dentro de si, depois de uma compra já antiga, o editor de imagens Picnik. O Google+ havia crescido consideravelmente no começo, mas depois estacionou e pode ser, que esta grande reformulação dê a ele novo gás em 2012; será? Já o Pinterest, cresce mais que trepadeira, segundo uma pesquisa, o "alfinetador"  cresceu de maio do ano passado até agora, mais de 2.700%. Dado que está deixando Mark Zuckerberg feio na foto, e tem mais, os usuários do Pinterest navegam mais tempo por lá do que nas outras redes. Ele parece reproduzir a mesma façanha do Facebook no começo. Seu diferencial é o privilegio à imagem, por isso se destacam as "fotografias" de temas como moda, design, arte, cultura e gastronomia (o fetiche dos olhos da geração Y), mas, há alguns dias o Pinterest fechou acordo de parceria com o Vimeo, uma espécie de YouTube (leia) com público sofisticado que promete impulsionar ainda mais a rede, aliando movimento ao que até então era apenas estático.

Diante disso o Facebook tenta não perder espaço aplicando mudanças constantes de layout e funcionalidade, como se quisesse agregar tudo que pode existir em todas as redes sociais juntas. Com mais de 850 milhões de usuários no mundo, mantém seu reinado, porém, cada vez mais lento, às vezes causando insatisfação dos usuários e até polêmicas de privacidade devido a problemas de segurança. Aqui, vale relembrar que as principais atrações de público dos concorrentes do Facebook "privilegiam a imagem", daí entendemos o porquê da capa em forma de banner no mural, da recente mudança de tamanho da foto do perfil citada no início do texto, que por sinal, lembra o tamanho da foto vista através do Instagram no celular. O mesmo Instagram que foi comprado por ele pela bagatela de $1 bilhão. Apesar desta atitude ter causado mal-estar entre os usuários do aplicativo (leia texto anterior), pode ser a melhor saída para O Facebook ficar dentro da briga. Pena, que a constância de mudanças já está causando inconstância na rede mais badalada do mundo, além de constantes alterações nos planejamentos estratégicos das empresas que investem nele. É importânte ressaltar, que o Brasil já é o 3º maior em número de usuários no face.

Por quanto tempo mais seus usuários físicos e jurídicos vão se submeter à volatilidade um tanto egocêntrica de Face Zuckerberg? Seu prazo de relevância estará chegando ao fim, ou sua entrada na bolsa de valores pode equipará-lo ao valor financeiro do Google, permitindo sua entrada em novos mercados? Estas são as perguntas que deixo com vocês, para me ajudarem a entender melhor o que está acontecendo. E como você acompanhou nos links do texto, eu estarei nas redes, então, podemos conversar a respeito em qualquer um desses novos lugares de bate-papo.


13 de abr. de 2012

Discriminação disponível para Download

Acho que sempre foi assim, talvez nunca como hoje, e curiosamente, no tempo em que mais se fala de “não discriminação”. Nunca pensei é que as marcas exerceriam tanto domínio sobre as pessoas, agora são elas mesmas, as marcas, a estabelecer distinções de caráter excludente e discriminatório em nosso relacionamento, e é lógico, rapidamente estas distinções são assumidas pelos usuários, às vezes involuntariamente, mas quase sempre determinando estilo/status de grupos. Carro, moto, roupa, aparelhos tecnológicos e até comida, são os campos onde a discriminação se faz mais presente hoje em dia, como um monstro devorando nossas boas relações, passíveis de fragmentação, até que elas só existam de fato, nos grupos que consomem as mesmas marcas – apogeu do gênero consumista. Mas atualmente, o destaque vai para o mundo tecnológico, seja no computador, notebook, tablet, smartphone e até mesmo, pasmem, num simples aplicativo.

Será que você ainda tem a liberdade de escolher as marcas de sua preferência por aquilo que elas representam enquanto custo benefício, ou você está sendo levado a se submeter ao que a marca ou grupo de amigos escolhe para você? Isto é: se você der a sorte de ser escolhido por alguma delas ou por algum grupo destes!

Este tipo de domínio da marca sobre as pessoas ficou evidente em várias situações que acompanhamos na mídia – você deve lembrar – quando o Facebook ganhou o terreno do Orkut e postavam uma lápide de cemitério com a inscrição: Orkut e sua data de existência; depois quando a Apple ganhou a atenção de todos, tornando-se a marca mais valiosa do mundo, e então, os que possuíam seus aparelhos ficavam extasiados em poder dizer as maravilhas de seus “iAlguma coisa” em detrimento de qualquer outro aparelho,  e há alguns dias, aconteceu o máximo absurdo, quando o Instagram decidiu liberar seu maravilhoso serviço de edição e compartilhamento de fotos – até então, exclusividade do Apple iPhone – para o sistema operacional Android, presente na maioria dos aparelhos de celular atualmente em uso no mercado. Bastou esta decisão da marca, para centenas de usuários ameaçarem sair do tal aplicativo, pois a sua popularização constituía um atentado à exclusividade de seus aparelhos mega caros e à pretensa qualidade de suas fotografias, alegavam (leia também). Para agravar a frustração dos partidários da exclusividade Instagram/iPhone, a rede social mais popular do mundo anuncia a compra do aplicativo e multiplica, literalmente, a indignação.

Mundo louco este, mas este mundo louco é conduzido por malucos que ainda não entenderam que as marcas existem para satisfazer necessidades, encantar clientes e atender desejos, não existem para que nós satisfaçamos os seus caprichos de guerra mercadológica. Pense bem! Somos mais do que as coisas que usamos, portanto, não nos deixemos ser usados pelas coisas que consumimos, ou melhor, não permita que as marcas suscitem em você os piores instintos humanos, que, aliás, fazem vítimas há séculos, mudam-se apenas as circunstâncias e os instrumentos de exclusão, tortura e discriminação. Caso isto não pare, veremos em breve a pior consequência desta competição, será impresso no outro, sobretudo psicologicamente, que ele não é capaz de ser se não tiver isto ou aquilo. E mais, no afã de alguns querendo ser melhores do que os outros, criarão mecanismos e recursos para impedir que o outro tenha acesso ao que julgam lhes definir como pessoas melhores. Aí sim, definitivamente, na era digital teremos a discriminação disponível para Download, e mesmo que seja Free, você deverá passar por uma seleção rigorosa antes de ser admitido.

Este vídeo tem um fundo de verdade e você mesmo pode expandir a reflexão para qualquer marca que traz em seu exercito fundamentalista, aqueles que dão tudo para honrar seu título de evangelizadores de marcas.


                          



8 de abr. de 2012

A Páscoa pede passagem! Cristo, coelho ou ovo?


Páscoa (do hebraico Pessach, significando passagem em grego Πάσχα).

A curiosidade central da Páscoa comemorada nos tempos atuais, digamos, pós-modernos, não é mais o seu tradicionalismo no campo das celebrações rituais religiosas e sim, os paradoxais contrastes que habitam no mesmo tempo e espaço, ou seja, tudo começou com os Judeus, donde Cristo  provém, porém nos quais Ele não permaneceu, então, aquilo que era de significado Judeu, passou a ser cristão, dado as semelhanças das comemorações judaicas pascais com a trajetória da vida de Cristo (vide Bíblia  e/ou Tora), e mais, Cristo não tem nada haver com “coelhos”, que, aliás, sequer põe “ovos”, quanto mais de “chocolate”. Tudo isso junto e misturado, faz parte da nossa nova sociedade pascal.

Definitivamente estes paradoxais contrastes são a prova cabal de que o sincretismo religioso/cultural/popular é extremamente criativo, dinâmico, ecumênico, cosmopolita, eclético e inovador; não acham? Os sentidos se diluem, se misturam, tomam nova forma e são absorvidos conforme o molde dos recipientes, conforme a personalidade de cada pessoa, que por sua vez, lhes conferem novos valores individuais e por fim, expõem subjetivamente suas interpretações dos conceitos, recomeçando o ciclo das ressignificações.  

Mais criativos ainda, figuram o mercado empresarial e a publicidade, ambos souberam aproveitar a oportunidade de uma realidade que contempla vários significados, e atingir cada vez mais pessoas, relativizando a linguagem como em uma espécie de metamorfose mercadológica simbólica, agradando em todos os gêneros, os plurais desejos – é um tempo muito parecido com o Natal (leia também). Assim, uma espécie de polvo comunicante inebria o povo, e a essência da Páscoa (desfigurada) pede passagem sem nada conseguir, pois à sua frente uma muralha de conceitos distintos torna sua passagem praticamente impossível, impede que ela renove as nossas vidas, nestes 75% de ano que ainda nos resta em 2012.

Então, se a essência deste espírito de Páscoa te alcançar e você decidir renovar a vida, fazendo tudo novo, melhor, a partir de agora, não se preocupe tanto em estabelecer diferenças, pois existe uma possibilidade de chegar ao mesmo objetivo partindo de pontos iniciais distintos. Enfim, não precisamos disputar espaço nesta festa, o que precisamos mesmo é nos unir pelos mesmos objetivos, cada qual na sua fé, ou mesmo sem ela. Digo sem ressalvas, já foi o tempo da disputa, melhor é aproveitar os elementos que nos unem, do que supervalorizar os que nos separam.

Feliz Páscoa aos Judeus, Cristãos e Povão, somos todos uma só especie, humana.


31 de mar. de 2012

Como um Hezbollah da bola, matam em nome de FuteBaal.

Se eu não começar este texto dizendo o quanto gosto de futebol e até de jogar nas raras vezes que consigo isto entre amigos, poderão pensar quiçá dizer, que sou um rebelde sem causa contra a paixão da nação. Então eu afirmo: não sou um anti-cultura, tão pouco um crítico gratuito; não! Sou apenas um indignado querendo ir ao estádio com a namorada, humanamente tremendo de medo e acuado. Por isso, sigo curtindo futebol na sala, com meu grande pai ao lado e pipoca no colo, quase sempre calado, pois o vizinho pode ser um fanático.

Cada vez mais o futebol é a causa de uma espécie de neo-fundamentalismo, sobretudo por parte de torcedores desequilibrados, porém nada loucos - pelo contrário - todos bem conscientes em seus planejamentos de combate. E como se não bastasse, agora também são favorecidos pelos meios digitais tão mal vigiados. Lá, nas redes, eles arquitetam suas táticas de guerrilha e não são postos atrás das grades pelos crimes cometidos, seguem navegando livremente no mar universal da impunidade.

Não é uma questão local, regional, nacional, muito menos pontual, irrelevante e rara, é sim, uma questão internacional, frequente e aterrorizante, pelo menos para mim, e penso que, se não é para você, tenho permissão de crer que concorda ou no mínimo ignora as cenas animalescas de selvageria, típicas de guerra campal, salvaguardadas pelo status de “Torcida Organizada”, e, endossadas pelo brasão do seu “Time Preferido”, brasões erguidos em bandeiras com gritos marginais, tal qual se ergue um estandarte antes do combate na guerra - consequentemente não vemos  uma partida de esporte, mas vemos jogos mortais.

São organizadas? Sim! Mas não são torcidas, são quadrilhas infiltradas em grupos disformes chamados de torcida, que na verdade estão procurando repercussão com o carnaval e negócio rentável nas lojas de Shopping Center; são mais interesseiras que interessadas na alegria do esporte. Por isso, desde que o futebol adquiriu um caráter de culto idolátrico, eu não gosto mais de dar tanta importância para o que acontece do lado profissional deste esporte belo, porém, bilhonariamente obscuro.

Se Elias – personagem bíblico do Antigo Testamento – vivesse hoje, ao invés de ter que derrotar os 450 profetas de Baal, teria que derrotar o baal do século XXI, ou seja, o futebol, com seus mais de 450 milhões de sequazes pelo mundo. Ou você tem dúvida que o futebol hoje é considerado por muitos um “deus”, e as quadrilhas de assassinos infiltradas nas torcidas, são como o seu “Hezbollah” da bola, matando em nome de FuteBaal?

Claro que a violência não acontece apenas nas torcidas “mal” organizadas; acontecem dentro dos campos com jogadores invejosos e irresponsáveis que não conseguem equilibrar seus instintos de competição e golpeiam os que mais se destacam, aliás, golpes e ataques camufladamente supervalorizados pelas transmissoras, ao nomear uma partida esportiva de futebol, como confronto, duelo, combate, sem contar quando chamam o estádio de arena, como se estivéssemos na Grécia ou Roma Antiga diante dos gladiadores, no espetáculo sangrento que levava o povo ao êxtase alienante.

Aconteceu na Inglaterra com os Hooligans, depois os homens Turcos foram proibidos de ir ao estádio, concedendo espaço somente a mulheres e crianças, recentemente foi a vez do Egito com 74 mortos em uma única partida/batalha e Domingo passado foi mais uma vez a vez do Brasil com 2 mortos. Apenas alguns casos entre tantos outros, mas se eu continuar consumindo os produtos da bola calado, vou me sentir cúmplice senão um aliado, por investir na manutenção destes grupos que não torcem e sim trucidam de forma organizada. O que penso falei! Se não gostou reage (com palavras), se gostou, colabore.


22 de mar. de 2012

O automóvel evoluiu para bem imóvel


O automóvel, vulgo carro, é uma das mais importantes invenções humanas e sempre esteve no desejo das pessoas como um bem consideravelmente importante para a livre autonomia das famílias, pois ele une em si simultaneamente, praticidade, conforto e status. Só que de um tempo para cá as coisas mudaram e o glamour do carro se transformou em problema urbano, social e até mesmo de saúde pública. Ele não é o desejo número um das pessoas, pois não consegue vencer a casa própria e o plano de saúde e, diga-se de passagem, que plano de saúde está aqui elencado dado o massacre de vidas visto todos os dias na saúde pública, da qual todos querem fugir tão logo vislumbrem uma saída, porém, neste texto não é este o meu foco. Voltemos ao tema: apesar do automóvel não ser o primeiro em desejo popular – mas há quem diga que é – ele conserva sua carga de influência considerável nos sonhos de cada brasileiro e de suas respectivas famílias.

Dado os dados acima, o que é o carro hoje para quem o tem? Além de ter perdido sua característica de plena mobilidade, mesmo com os maiores avanços tecnológicos, “ele alcançou em horário de pico, a mesma média de velocidade das carroças, com uma diferença, agora, a poluição vai para o cima”. (adaptado de Joelmir Beting).

O carro é a raiz de todos os males do sócio-trânsito moderno, mesmo assim, provavelmente quem não tem é porque não pode comprar – salvo exceções de disposições em contrário devido a estilo de vida diferenciado. O carro é como a veste de lata das famílias, uma cápsula metálica do status humano, constituído o espectro da destruição do ar e, quando guiado por irresponsáveis, também destruidor de muitas vidas. O carro hoje revela também os íntimos dos corações que vivem no anonimato atrás de seus vidros escuros filmados, e através do interrelacionamento de suas armaduras possantes, manifestam a intolerância em relação ao outro. É fácil ver esta intolerância ao chegar em um cruzamento movimentado, onde a preferencial não é sua, e ter que esperar muito tempo até que os carros parem, pois não há (salvo raríssimas exceções) uma boa alma que te conceda a passagem, ou quando você pede para mudar de faixa sinalizando com a seta, e o outro motorista, ao invés de conceder a permissão, acelera. Mas veja bem, mudar de faixa se você conseguir romper o cinturão de motociclistas que se autoutorgaram o direito de não dar direito a mais ninguém. Se você é motorista exclusivamente de carro, como eu, deve estar  ironicamente contente com minha crítica aos motociclistas, mas lembre-se, o seu carro unido aos outros, são como um corredor polonês para os frágeis "motoboys and girls". Na verdade nós configuramos o atual modelo de trânsito como uma válvula de escape do nosso incontrolável sentimento de disputa e competição, canalizando tudo para uma disputa constante nas ruas, corroborada pela potência de arranque dos motores ou pelo tamanho do carro de guerra que conduzo.

Ninguém poderá negar, o império no trânsito ainda é dos carros, precisamente dos automóveis, pois raramente uma moto ao bater em um carro causa vítima, a não ser o próprio motoqueiro, também as recentes mudanças na lei para criar uma zona de restrição aos veículos pesados, provam que todas as medidas tomadas para atenuar o caos no trânsito, são na verdade uma concessão de privilégios aos veículos pequenos, quase sempre circulando com apenas uma pessoa, assim como eu no meu. Haverá quem negue este privilégio alegando ser o rodízio uma restrição, mas convenhamos, está tão fácil adquirir um carro zero, que não me espantaria se algum dia ficasse comprovado, que as promoções de financiamento facilitado são na verdade, uma estratégia para vender o segundo carro a você e fazer com que a escolha de um outro final de placa, permita sua circulação, mesmo no dia que o rodízio privaria seu veículo de andar pela cidade. E para expandir um pouco mais esta provocação, pode ser também que o rodízio foi criado como uma estratégia para levar você à compra do segundo carro - já pensou nisso? Automóvel ou autoimóvel do caos?



8 de mar. de 2012

08/03 - Dia Internacional da Mulher que você é!



Confesso! Sempre quis trazer ao conhecimento de todos estas palavras, que há muito tempo se organizam em forma de texto dentro de mim. Desta vez, nada de trocadilhos, clichês ou qualquer outra tentativa irônica/crítica/cômica  de estimular a leitura (talvez nem mesmo controvérsias...), pois a mulher é sempre bela em si mesma; não precisa de auxílios retóricos para evidenciar seu valor, e sua dignidade, quando reconhecida, tem força própria! Felizmente, nas últimas décadas o mundo parece dar sinais de rumar no caminho da valorização feminina, graças ao extenuante, porém nunca fraco ou desanimado fervor feminino. Mesmo tardiamente, o mundo decidiu escolher uma face mais bonita, e, não obstante as diferenças ainda patentes em questão de igualdade salarial, reconhecimento de capacidade, confiança em sua indiscutível habilidade, Ela, ou melhor, todas Elas, seguem numa harmonia crescente de conquistas e superações comprovadamente impressionantes. Óbvio, muito ainda precisa ser feito para extinguir de uma vez por todas a, infelizmente sempre presente, violência contra a mulher em todos os gêneros, números e graus, mas neste ensaio de elogio à mulher, pretendo focar mais nos inalienáveis valores intrínsecos delas, que nos repetitivos relatos desagradáveis sobre elas (que as envolvem).

O ponto principal é a beleza interior e sinceramente, não acredito em um padrão estético que possa definir o que é a beleza feminina, ou o que deve ser a beleza feminina, por isso eu afirmo: antes de tudo e sobremaneira, a beleza feminina está em ser mulher com as suas – felizes – diferenças em relação ao homem! Não vejo nenhuma possibilidade de um homem se apaixonar por uma mulher se ela não for exatamente como é. Sendo todas igualmente mulheres, são completamente diferentes umas das outras, mais evoluídas e dinâmicas do que o milenar, atrasado e conservador terno e gravata masculinos.

Bela em si mesma merece ser valorizada primordialmente por isso, não necessariamente submissa às propostas ou estereótipos impostos pelo padrão de beleza estabelecido nas passarelas da moda internacional. Objetivamente, não se pode falar de beleza sem considerar as diferenças e a intimidade de cada mulher em sua integridade, ou seja, a pessoa é vista em seu corpo e em sua essência interior, onde estão escondidos todos os seus reais valores. Ao entender a mulher nestes termos, percebemos que na verdade, a beleza está sempre escondida na distância das diferenças, inclusive as diferenças estéticas, portanto, a proximidade do padrão, vai esgotando a essência do belo.

Acredito também, que a beleza e o valor da mulher estão em ensinar o homem como amá-la, sempre exigindo uma forma de conquista diferente daquela planejada, mas que quando correspondida, será para sempre lembrada.  É mais ou menos assim: a mulher moderna não exige que o homem abra a porta do carro para ela, mas se ele o fizer, ela não esquecerá jamais – isto serve para outras coisas do cotidiano de um relacionamento com as mulheres e não significa tirar delas a possibilidade e capacidade de fazer, mas denota o carinho merecido por tanta beleza concedida aos nossos olhos. Está certo que as vezes passamos anos para aprender uma forma de amar aquela mulher específica pela qual nos apaixonamos, e quando conseguimos, ela quer de outro jeito. Tudo bem, como o amor supõe duração bem maior que a paixão, seguimos "de começo em começo por começos que não tem fim". (Gregório de Nissa)

Não veja somente corpos, mas veja mães, esposas, irmãs e filhas, todas lindas mulheres.

Beleza única e incomparável, sem constrangimento e sem discriminações - não há um padrão de beleza estabelecido, a beleza é ser mulher, a mulher que você é!

Parabéns!

26 de fev. de 2012

A coisa ficou preta, me deu branco!


A última escola campeã encerrou o seu desfile, o último bloco de rua se recolheu e mesmo que os trios elétricos da Bahia não parem, o Carnaval acabou e eu me dei conta que o ano começou, mas pior, ou melhor do que isso, percebi que já estava nos dias de outro texto para o blog, respirei fundo, olhei à minha volta e...não encontrei nada que me inspirasse - nossa a coisa ficou preta, deu branco geral. Fiz uma tentativa de reproduzir o efeito pedra na lagoa; sabe quando jogamos uma pedra na água e ela propaga círculos concêntricos, que em forma de ondas abrangem cada vez mais espaço no dinâmico movimento crescente de seus diâmetros? Foi assim que pensei, pen..sei, pen...sei e disse comigo mesmo, já sei! 

Vou escrever sobre a “opinião” – mas como escrever sobre a opinião, se a opinião é um modo pessoal de ver as coisas? Aliás, ela é uma forma tão individual de expressão, que é melhor respeitá-las todas, do que se aventurar em comentá-las, como se fosse um jogo de erros ou acertos. Apesar das opiniões poderem ser rebatidas, discutidas, promovidas e além de criarem referencias para a formação da opinião pública, ainda penso que é melhor enxergar a opinião de cada um, como uma parte integrante da pessoa e, respeitando a tal opinião alheia, promover também a liberdade plena de expressão a todos, pois, valorizando a voz do outro salvaguardo a retribuição do respeito quando eu emitir a minha própria opinião. Não vai dar pra falar de opinião não; só tenho a minha, quase sempre ela só serve pra mim, e se eu falar das outras, vou me sentir um juiz...

...vou escrever sobre a “política” – sobre a falência deste atual sistema de governo, incapaz de funcionar a nosso favor; mas isso todo mundo já sabe! Mesmo que eu insista em falar a respeito, quem vou sugerir para ocupar o lugar dos desagradáveis de agora? Não quero me contagiar com essa peste chamada partido, em nenhuma de suas várias mutações e siglas virulentas. Se o Governo e a tal base governista quer alguma coisa, mesmo que minimamente a nosso favor – o que é raro – a oposição barra, antevendo a força publicitária deste bem, contra eles  no futuro, e vice-versa. A rede, neste caso, de esgoto, flui assim: este cara erra aquele não pune, o outro se cala porque já foi beneficiado pelo primeiro que ajudou o segundo a chegar no cargo, e que futuramente ameaça fazer aliança com a oposição, então, é melhor tê-lo a meu lado do que do outro, seguem pondo panos quentes e indignando o povo, infelizmente ainda estático. Ah..., mas o "barrigudinho" de Sampa (o Prefeito) fundou um partido de centro! Verdade, porém, se todos os outros são como esgoto a céu aberto, penso que esta ideia de não direita nem esquerda, vai funcionar como ralo, ou seja, tudo que não serve mais pra nada entra nele, e nós pelo cano – esta é apenas uma forma mais profunda/subterrânea de ver o sistema. Definitivamente não dá pra falar de política, eu não entendo nada de Estação de Tratamento de Esgoto...

...útima tentativa, vou escrever sobre a “discriminação” – só que quando eu penso em discriminação, interpreto no sentido de preconceito e intolerância, mas observei que o preconceito é inerente à pessoa humana. Não vem com essa conversa de: “não tenho preconceito”; porque de uma ou outra coisa, e/ou pessoa, você tem! Isso é fruto da mania universal de generalizar tudo e todos; os raciocínios funcionam mais ou menos desta forma: todo homossexual é pervertido, todo muçulmano é terrorista, todo cristão é alienado, todo católico é pedófilo, todo homem é machista, toda mulher é submissa, todo “intelectual descolado” não tem preconceito – piada – experimenta falar pra ele sobre algum dogma religioso, e etc. Já sei o que vão me dizer: eu generalizei no parágrafo de cima e indiretamente afirmei: nenhum político presta! Portanto, discriminei a classe política. Se diante da frieza com que encaram os problemas sociais e a mortalidade diária de pessoas vitimadas pela inércia Estatal, você me convencer que eles fazem parte da raça humana, eu volto atrás (ironia com exagero – será? – leia neste link 2º parágrafo). Tem outra coisa, vejo muita gente combatendo o preconceito, mas discriminando quem não tem a mesma opção; muito engraçado promover a liberdade de um grupo ridicularizando o outro, às vezes até utilizando as mesmas estratégias que condenam. Parece mais uma guerra irracional que uma discussão consciente para promover a tolerância, a qual prefiro chamar de: paz na convivência harmoniosa das diferenças - e afirmo ser possível. Quanto à violência, fora os que a praticam, todos são contra, mas se ninguém é punido, o problema é outro. Sem contar que no Brasil, se você falar algo sensato, tem que passar o resto da vida pedindo desculpas, ao passo que quando fala "merda", quase sempre vira hit. Porém, o sensato dito sem respeito é pior que agressão física.

Eita! Acabou o espaço e ainda não tenho o texto, bom, acho que vou ficar dentro mim mesmo com este branco, porque quando olho lá pra fora, a coisa ta preta - e olha que eu não sou flor que se cheira!

Colaboração e inspiração do tema - Fernando Nogueira  - para freela veja portfólio.


16 de fev. de 2012

Carnaval de enredo errado – onde foi que erramos?

Mais um ano que o Brasil desfila para o mundo no ritmo dos enredos junto com todos os brasileiros, ou melhor, quase todos. O carnaval é a maior festa popular do planeta e nela, festejamos a cultura e a alegria do povo através da arte, dança e muita música; existem outras coisas misturadas aí no meio, mas eu comentarei no decorrer do texto. O carnaval é sim, uma face da identidade cultural do país, apesar de muitos não gostarem, nem de longe, da apoteótica afirmação: Brasil, país do Carnaval! Porém, é inegável que nele esteja contido e preservado – em alguns momentos penso que esteja deteriorado – um patrimônio de tradição, cultura, folclore, história, arte, música entre outros aspectos sócio-euro-afro-brasileiros. E se esta festa internacional é algo assim tão bom, que reúne milhões de pessoas do mundo inteiro nas avenidas e salões, para festejar, cantar, dançar, pular e etc (este "etc" nunca esteve tão carregado de malícia e duplo sentido), então, o que há de errado com o carnaval? Nada!

Definitivamente o erro não está no carnaval em si, seja no salão ou na avenida, regado ao que quer que seja, pois os foliões são todos de maior e cidadãos livres em um país democrático – pelo menos teoricamente. Afinal, mesmo os contrários à festa, e mesmo os mais conservadores, têm seus dias de devaneio, ainda que depois escondam seus desvarios por de trás da máscara social do politicamente correto. Entendam, não existe mal no carnaval, só porque é uma festa popular de adesão em massa. Os que se irritam com isso é porque não conseguiram a mesma adesão em seus empreendimentos. O verdadeiro perigo é que a maioria não consiga, depois que ele acabar, diferenciar a ornamentada farra foliônica e as fantasias alegóricas, da realidade cotidiana. 

Seduzidos pelo enredo, acabam por viver errado o ano inteiro, sem considerar os quesitos que constituem uma nação campeã, ou seja, o povo deve estar na comissão de frente do país e não os políticos (preste atenção na próxima eleição); isto levará à evolução de seus valores, se também agirem todos em conjunto e harmonia a exemplo de uma bateria. Do contrário, o samba enredo da vida não será animado como o casal de mestre sala e porta bandeira, viverão de alegoria e adereços, tudo será fantasia.

Antigamente ainda tínhamos as marchinhas carregadas de expressões populares urbanas, críticas e até de protesto para ajudar, mas infelizmente e forçadamente, as marchinhas cederam lugar aos exércitos alegóricos de carros tecnológicos e enredos encomendados, fazendo marketing pessoal ou propagandas patrocinadas, por vezes eleitoreiras (eu confesso: ganho dinheiro com publicidade). Sem falar do erotismo explorado e posteriormente repercutido em dados estatísticos de violência contra a mulher. Posso até estar exagerando, no entanto, julgue você mesmo: será que se a mulher fosse evidenciada de outra forma, estas agremiações, constituídas verdadeiros formadores globais de opinião, não conseguiriam transmitir que a mulher brasileira é mais do que carne e sedução? 

Penso sinceramente que enquanto as escolas de samba não se tornarem escolas de consciência (moinhos de protesto), o povo não sairá para defender os seus direitos (mais ou menos como escrevi no primeiro parágrafo do texto: Um povo submerso e soterrado). Esta é a constatação, ao comparar a capacidade de mobilização do povo brasileiro em aglomerações, formadas nos eventos característicos da cultura do nosso país, com os protestos e manifestações de interesse público/político/social. Não é sóbria, a nação que esbraveja nas conversas dos corredores, elevadores, bares e restaurantes, indignada com a situação política e estrutural do país, deixando, no final das contas, tudo por isso mesmo. Deve existir na história, algo que comprove o momento da aplicação de um entorpecente na massa, ocasionando estas consequências crônicas – não me espantaria se nos próximos dias, encontrássemos indícios sintomáticos deste alucinógeno alienante por aqui e por ali, sem generalizar.

Curtam a festa, eu também vou, mas depois da passarela vamos desmascarar este país! Aliás, convenhamos, no Brasil, o ano só começa depois do carnaval.


13 de fev. de 2012

Natureza dos fatos – eco da lógica

Porque foi que o mundo ficou por um fio? Certamente o motivo está longe de ser ecológico, como muitos querem fazer crer, o verdadeiro mal do mundo é a ausência do senso de pertença ao planeta, falta de senso de pertença social – pertença de um ao outro. Você já viu alguém cuidar de alguma coisa que ele não considera sua, ou pelo menos, importante para si e para os seus? Nem eu! Por isso, entendo que o ser humano não pode ser um elemento secundário neste processo de "salvação do planeta", enquanto todos os outros elementos são super valorizados. Não há dúvida que na natureza dos fatos, existe uma proporção inversa/injusta de valores: de um lado e privilegiada, a excessiva exaltação dos animais e natureza (meio ambiente ecológico), do outro, e inferiorizada, a preocupação com a edificação da pessoa no meio ambiente em que vive e sua relação com a natureza (meio ambiente total). É preciso sim uma ação eco-lógica, mas que ecoe a lógica do ser humano como único capaz de reverter a natureza dos fatos.

Eu entendo o nobre objetivo de proteger o planeta e sua natureza, mas questiono o fato de não focarmos o discurso na soberana valorização da natureza humana. O atual discurso é sempre pejorativo, por exemplo: você não está fazendo direito; você está sufocando o planeta; você destruiu o planeta; você maltrata a natureza; enfim, você é o mal do mundo! E assim tão bem mal falado, quem vai se sentir motivado e entusiasmado a sustentar a sustentabilidade de seu habitat? Ninguém!

Sem o “eco” deste raciocínio, não há “lógica” ecológica!

Por assim dizer, é natural que ecoe a lógica da valorização da natureza humana; tanto como espécie a ser preservada, quanto artífice principal da preservação de tudo e de todos. Em certo sentido, há de se ter em vista, sobretudo, uma “ecologia humana” que evolua para “ecologia cultural”, ou seja, o desenvolvimento do “ser” humano, para uma boa relação com os demais “seres”, no meio ambiente.

Não é inteligente levar pessoas à autocondenação para conscientizar, por isso, quem sabe os psicólogos possam ajudar os ambientalistas desavisados a entender que é valorizando a pessoa que se cria autoestima, aliás, necessária em ações inteligentes desta natureza. Também não é muito coerente perceber a maioria dos “salvadores planetários”, se utilizando das maravilhosas ferramentas criadas pelos homens – sem as quais, sequer o trabalho ambientalista seria possível – e simultaneamente pixar estes mesmos homens como monstros destruidores. Tais supostos eco-messias, escovam os dentes com a torneira aberta e deixam escorrer sua credibilidade, culpando seus potenciais aliados.

Está certo que fizemos muito mal ao planeta e quase nada para reparar isto, portanto, vamos levar as pessoas a sustentar que é possível fazer mais. Existem sim, opiniões divididas sobre o assunto: uns acreditam positivamente que é possível mudar e influenciar para que todos mudem, outros preferem desistir antes de ingressar no desafio – que se vencido – significará a garantia de tranquilidade para os que virão depois de nós. Pensar que o pouco que fizermos de bom, em nada irá colaborar com o bem do planeta, é ignorar que o pouco que não fizemos até agora, foi a causa responsável pelo estado em que ele se encontra, no entanto, não é preciso colocar a natureza humana, sob a natureza, como se fosse uma sub-natureza e sim, elevar a natureza humana à dignidade de in natura, neutralizando o outro extremo, também nocivo, de que o ser humano está sobre a natureza, só assim, haverá harmonia na natureza dos fatos como eco da lógica.


8 de fev. de 2012

Papai, mamãe, se troquem que vamos ao fast-food!

Eu sou um apaixonado entusiasta da propaganda, com todos os seus recursos honestos, criativos, inteligentes e humorísticos de publicidade, ancorados nas estratégias mercadológicas construídas a partir das pesquisas de mercado, e sei perfeitamente que a propaganda influência – muito – no psicológico da pessoa, na formação de hábitos comportamentais de consumo e no relacionamento de cada pessoa com o outro, com as coisas e consigo mesmo, mas convenhamos sem drama: ninguém é mais afetado por ela que as crianças. Só que convenhamos também, sinceramente, que até quem levanta a bandeira da “não publicidade” voltada aos desejos e interesses das crianças, precisa vender o seu peixe, então nada de combater a publicidade, alegando ser a exclusiva causadora dos males denominados: obesidade infantil, anorexia, vícios diversos, síndrome do consumismo e etc. 

Vamos discutir primeiro, a influência determinante dos hábitos de consumo dos pais (ou adultos responsáveis) em relação às crianças e a educação nas escolas públicas e privadas. Aliás, propaganda não tem como função primordial educar, apesar deste fato não anular sua responsabilidade coadjuvante no processo, antes, propaganda existe essencialmente para informar/anunciar, portanto, televisão, vídeo game, computador, smartphone, tablet, jornais e revistas são seu habitat natural de estímulo ao consumo. Quem acompanha meu blog pode ter a impressão de uma contradição em relação ao texto Marketing de faxada in-sustentável, onde escrevo: “Hoje o marketing e a propaganda estão convidados, se não obrigados, a educar o consumidor a consumir” Afirmo não haver contradição, mas compreensão do termo "estão convidados, se não obrigados" como uma participação auxiliar - coadjuvante! É claro, devem ser evitados exageros, mas, publicidade precisa mexer na imaginação, seduzir, envolver, ou então não subsistiria em si mesma e haveríamos de condenar também os livros, filmes, peças teatrais, desenhos, desfiles de moda e tudo mais que possa influenciar na formação de um hábito, digamos indesejado, na criança. No entanto, seria  uma censura, ou seja, ato anti-educativo.

Ainda não tenho filhos, o que reduz consideravelmente minha autoridade para falar de educação dos filhos, porém, posso fundamentar este texto em alguns dados constrangedores: 99% dos pais e 98% dos filhos declaram assistir a TV juntos, 89% dos filhos e 90% dos pais dizem que navegam juntos na internet e 91% dos pais afirmam ler com os filhos. Mas é na frente da TV que a coisa pega; 83% dos pais dizem perceber o interesse das crianças em determinados produtos, aumentando o interesse em datas especiais e muitas vezes, os filhos expressam claramente seu desejo no momento da propaganda. E se a criança aprende seus primeiros passos para o consumo, com os detentores da grana dentro de casa, não há de se esperar uma responsabilidade primordial da conduta familiar, liberando ou retraindo o consumo de seus pequenos?

A ação conjunta é a solução de bom senso, afinal nenhuma criança manda pai e mãe se arrumar para ir comer no fast-food gordurento, ou manda ir ao shopping gastar com moda no cartão de crédito, a não ser que aprendeu este caminho antes e de forma desordenada. Esta questão não é brincadeira e precisa ser vista à luz de alguém menos ignorante que eu, por isso, concluo com o testemunho da minha amiga Hegli Kovacic, mãe e educadora pós-graduada em educação ambiental; ela escreveu o seguinte em seu blog: “Desde pequeno nós (meu filho e eu) conversamos sobre o ato de consumir, fazemos perguntinhas simples que nos ajudam a definir uma compra: Eu preciso disto? Isto vale o preço que estão cobrando? Como e onde isso foi fabricado? Sempre tentei abarcar os aspectos ambientais, econômicos e sociais de forma didática e simples.” Visite Educação Ambiental Contemporânea e veja qual foi resultado obtido na criança que ela educou.

Mas, se você tentar e não conseguir o mesmo resultado com os seus filhos, não tenha tanta pressa, porque educação não é feita em 30 segundos de propaganda, na visita de um site ou com a leitura de uma página de revista - insista não desista! Tão pouco transfira plena culpa à parcialmente responsável Publicidade.